Sempre acompanho via e-email o sitio do Fernando Brant, além de postar regularmente por aqui, por exemplo a seção de Editais. Desta vez trago apenas a resposta dele à um leitor que rebate suas criticas ao governo Lula.
Gostei da clareza e firmeza no posicionamento e portanto tem haver com projetos culturais e com quem trabalha com cultura no Brasil. O assunto principal que trata do orçamento da cultura para 2010, voce lê no seguinte endereço:
http://www.culturaemercado.com.br/ideias/r-22-bilhoes-para-a-cultura/
Segue a resposta:
Qual a motivação e a intenção das minhas críticas? Não sei responder. Já não sei mais porque escrevo neste espaço. Posso falar de meus impulsos iniciais. Vivo de cultura há aproximadamente 15 anos, às vezes como artista, às vezes como produtor, depois como consultor e pesquisador. Comecei a ter acesso a informações de grande valia para todos que compartilham do mesmo desafio, que é viver da própria arte.
Isso pode parecer um movimento político-ideológico, mas não é. Partidário então, jamais. Sempre fiz política na vida, faz parte de mim, mas nunca fui filiado a nenhum partido.
Nasci comunista. Guardo o fascínio pela socialização e a autocrítica dos erros cometidos pela esquerda em todo mundo. Luto com as minhas origens, tento ser um liberal de esquerda, que é uma expressão cunhada pelo Magabeira Unger.
Liberal pois sinto que não podemos prescindir das liberdades culturais, além dos direitos. De esquerda, pois não consigo compactuar das atrocidades do sistema capitalista.
Num mundo maniqueísta e manipulado, algumas críticas podem soar defesa dos próprios interesses. Queria poder dizer que sou um ser superior, que não estou movido pelo mundano e pelo que me afeta no âmbito privado. Mas, ao contrário disso, só sei do que me afeta. Tento me sentir na pele do outro o quanto posso, mas falo apenas de mim, o sinto e o que vejo.
Meu ego aparece sempre em meus textos, são inúmeros os venenos relacionados a ele: arrogância, inveja, ciúme, raiva. Coisas que todos nós temos e que aparecem claramente nas minhas releituras e autoanálises.
Não sou dono da verdade, nem representante do dono. Falo por mim. E dou espaço aos que discordam e concordam, pois adoro mudar de ideia. Ideia é algo que não gosto de vender, me causa constrangimento qdo tenho de fazê-lo. Gosto de dar de graça para poder receber em troca.
Minhas palavras sobre Lula podem parecer pesadas, mas se vc reparar não existe uma atribuição de culpa a Lula. Vejo-o mais como vítima da própria situação em que ele se meteu. Mas não vejo maldade no seu coração.
O mesmo pode se aplicar a Juca Ferreira. Eu o admiro muito como secretário executivo de Gil e me solidarizo com sua difícil tarefa de ministro. Quero arrancar o melhor de Juca, pois sei que ele pode dar. Às vezes escrevo coisas para desestabilizá-lo, é verdade. Faço de propósito. Sei que o Ministério da Cultura inteiro lê minha opiniões. Tenho muitos amigos ali. Alguns gestores, como o Alfredo Manevy, Celio Turino, Sergio Mamberti, Américo Córdula, entre outros, são detentores de profunda admiração minha.
Mas o poder é um lugar difícil. Corrompe e destrói. Faço o meu papel de sociedade civil, de cidadão. Quero arrancar deste ministério o máximo que ele pode dar. Por isso critico, mas também sei elogiar, como fiz neste artigo.
O orçamento da cultura de 2010 é um fato histórico. Mas este ano é de institucionalizar. Faz parte do jogo distribuir recursos com fins eleitoreiros. Mas tem que institucionalizar, senão tem muita coisa boa ali que vai acabar. Como me sinto copartícipe, coautor, junto como muitos outros agentes ativos da nossa política cultural, vou brigar para que isso não aconteça.
Minha candidata a presidente, por enquanto, é Marina Silva. Talvez não seja se o atrelamento dela ao PSDB se viabilizar. Nunca votei e não votarei no Serra, mas também não voto na Dilma, de jeito nenhum.
Não conheço os planos de Marina para cultura, sequer a conheço pessoalmente. Ou seja, não sou movido por interesses pessoais, nesse sentido de participação mais intrínseca nas esferas de poder. Já tentei fazer colaborações mais próximas do poder, mas já aprendi que a proximidade em determinadas funções atrapalha mais do que ajuda.
Quero trabalhar para construir um plano de cultura para o Brasil. Talvez por isso esteja aqui. Não vejo isso como uma contribuição ou como algo que faço por indulgência ou caridade. É por cidadania, algo que estamos pouco acostumados e que a rede e as novas possibilidades de atuação no campo social me permitem fazer. E que é tão importante como comer, beber, fazer amor, dormir.
Pois é companheiro, desculpe a resposta prolongada, mas a questão, que recebo com carinho, é realmente das mais difíceis.
Um grande abraço, LB - autor
sábado, 16 de janeiro de 2010
A resposta de Fernando Brant - Cultura 2 bilhoes em 2010
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